quarta-feira, 10 de junho de 2015

um caminho



de água salgada, de serras, de cabos.

de cruzamentos, de arbustos, de ventos mareiros.

de velhas figueiras, de tojo e de esteva.



do sul.

No céu


... aberto de Lisboa

as irmãs andorinhas

 ensaiam acrobacias.

pétalas de flor de cerejeira

vibrando no éter.




Vês aqui a grande máquina do Mundo.

Etérea e elemental, que fabricada

Assi foi do Saber, alto e profundo,

Que é sem principio e meta limitada.

Quem cerca em derredor este rotundo

Globo e sua superfície tão limada,

É Deus; mas o que é Deus ninguém o entende,

 
Que a tanto engenho humano não se estende.

 

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto X, 80 (1572)

A memória



de outra data:

a liberdade também se escreveu

com flores.