sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ilha




Detenho-me apenas

Na estrutura mineralógica e vegetal

Das Ilhas

As escarpas de xisto

Onde brotam espontâneas estevas e giestas

E a vegetação rasteira

(Cuja nomenclatura não figura

Na literatura erudita e cientifica)

 

O sol encandeia o mar

De uma luz branca e igual

 

O oceano lento e profundo

Enlaça as rochas com o seu

Manto liquido

 

As aves da Ilha têm um voo diferente:

Há derisão e urgência quando se despenham das falésias

E sobrevoam a superfície da

Água

Num renovado assombro

 

O vento expande o seu

Pulmão de aço

E é sempre um vento

Limpo e salgado

Um vento de lágrimas marítimas e de

Peixes alados

 

 

É só um ilhéu batido pelo

Atlântico.

Visto do continente

Cabe inteiro na concha fechada

Da palma da mão

 

Respiro esse sopro

Que enrola o vento e as rochas

A água salgada o voo

metálico dos pássaros

e o aroma adocicado

da vegetação misturado com o iodo

das algas

 

e só sei que ali reside

uma breve e solitária

explicação

do mundo.