terça-feira, 31 de dezembro de 2013

sábado, 28 de dezembro de 2013



Precisamos da presença circunstancial

do vento e das vagas.

 

Precisamos da subjectividade

das montanhas.

 

Precisamos da resiliência das árvores,

Da transcendência abissal do voo dos pássaros.

Do silêncio dos astros.

Dos campos em pousio.

Da geografia da memória.

 

Da dança (sem gravidade) dos astronautas.

Das cordas de um Arco (Íris.)

 

Precisamos, mas bem dispensaríamos,

Da inelutável contingência das palavras.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013



Rainer Maria Rilke, France Culture






aqui estamos.
face à manhã liquida
do oceano
e ao
silêncio azul
do céu e da água.

Iguais a nós próprios
e constantes.

pequenas réplicas redundantes
das marés,
das vagas,
dos cumulus,
dos nimbos.

da lua,
das cornucópias,
dos lençóis de conchas,
da placidez das dunas.

da efémera e translúcida areia transportada
de um deserto distante (e contudo tão próximo.)

aqui estamos
na inevitável confrontação com
nós próprios.

vivos,
presentes.
por vezes hesitantes.
Inteiros.






(obrigada.)