segunda-feira, 28 de outubro de 2013

o mundo


em que vivemos.

da cidade



Quando desço a cidade, quase todos os dias, de uma das suas avenidas até ao Tejo, como hoje, dia cinzento e de chuva, e o meu humor a condizer,
espreito as ruas, molhadas de fresco por uma chuva muito fina, as árvores em fila, alinhadas, no meio da avenida.
Passam pessoas, com pressa ou com o vagar de quem não tem horários.
Passam pessoas, nessa correnteza.
E o asfalto húmido e brilhante a serpentear até ao sul, porque todas as cidades têm um sul, evidentemente. O daqui confina com o rio. E com o mar.
Mas nesse trajeto, quotidiano, desassombrado, há sempre um ponto de fuga.
Um bando de aves que risca o céu, num voo efémero e curto. Um voo por cima dos telhados, tangente à copa das árvores, perpendicular ao céu.
Uma mulher de sombrinha aberta.
Um senhor de grande idade que atravessa a rua, uma loja de esquina.
Um homem de turbante azul-marinho, o letreiro de uma casa de artigos de moda para senhora e crianças, que encerrou as suas portas há muito.
Uma tabacaria com os jornais e as revistas pendurados e os invariáveis títulos e noticias da atualidade, o mundo a insinuar-se nas letras grossas e no cheiro a tinta dos jornais.
O elétrico, o bem amado elétrico com as suas cores reluzentes, amarelo ou vermelho vivo, e com os seus viajantes, sempre diferentes. Com o seu ruído de animal marinho e de ovni, simultaneamente.
Uma franja do castelo, e um naipe de casas encaixadas na colina.

Não digo nada. Demoro o olhar nessa certeza. A de que haja o que houver, ela estará sempre ali. Refiro-me à cidade que dá pelo nome de Lisboa.

carta a um amigo


quando a lua namora
os telhados das casas e
espreita, lá de cima, a cidade
(desprendida, mas atenta,
 como sempre.
redonda, como por vezes.
e bela, como sempre.)
e o céu é de um azul tão puro
que apetece mergulhar,
e portanto, mergulhamos.


o rio é música de fundo.
o rio e os seus barcos,
cargueiros que partem e
paquebotes que acostam,
indolentemente.
cacilheiros que deslizam
com suavidade nas águas
(de prata, por vezes, de oiro, por vezes, de um azul
sempre diferente, quase sempre.)
e as sirenes dos barcos apitam
no seu longo e interminável canto de sirenes.
a tarde encosta-se ao espaldar desta cidade que é Lisboa.

não falo da tua ausência, amigo meu.
apresento-te a cidade
e confirmo
o seu estado.
de graça.


na rota do 28 (2)


pessoas


que fazem a cidade.
das outras não sei,
nem quero saber.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

um mundo


quase perfeito, visto do rio.
É possível?

navegar

é preciso.

Música na Cidade





Camões
Brass Ensemble da Metropolitana
Reinaldo Guerreiro, maestro

Música nas Praças
"Lisboa volta a receber mais uma edição do festival Música nas Praças. Este ano, o evento decorre dia 5 para assinalar o Dia Mundial da Música (1 de outubro), associando-se também às comemorações do 5 de outubro, importante marco da história do país. Esta é já a quinta edição, que retoma o diálogo dos acordes musicais com o espaço público e o património cultural da cidade. A programação está a cargo da Orquestra Metropolitana de Lisboa, com concertos no Largo do Carmo, Praça Luís de Camões, Miradouro de Santa Catarina e no Largo de São Carlos. Haverá ainda a participação de vários agrupamentos corais nas Ruínas do Carmo, e um convite à proximidade com os instrumentos da orquestra nos vários ateliês de música que decorrem no jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea." Agenda Lx

http://www.agendalx.pt/evento/musica-nas-pracas#.UlVocUVdaIk

um céu



de algodão.

ponte(s)


http://www.youtube.com/watch?v=9HvpIgHBSdo

Chiado


(com a tranquilidade de) um livro


de imagens,

deslizam

barcos

de papel

no


rio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

bem-vindos à nossa Terra


bem-vindos a Lisboa.

http://www.youtube.com/watch?v=5YXVMCHG-Nk

Reabilitação



belo.
luz.

reabilitar, todos podemos (e devemos) contribuir.
http://cidadanialx.blogspot.pt/2013/10/lisboa-capital-do-azulejo.HTML

Azulejos




dos sítios


e no entanto, Luz, também.
nas dobras do rio,
nas fachadas em ruínas,
no relógio parado (há quantas décadas?),

na moldura do Cais das Colunas
no serpentear ligeiro
dos  barcos
que atravessam o Tejo.

(Esperança num movimento
que pare de estigmatizar e destruir os sítios
e as pessoas.)

cidades (mais) verdes



os que persistem nas suas convicções.

http://www.youtube.com/watch?v=Q7jeb_D08XA