sábado, 31 de agosto de 2013

Avishai Cohen - Remembering


 
 
 
 

 


http://www.youtube.com/watch?v=KHjnjIbwvGI


" (...) Aqui e acolá acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão
no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas minh'alma está com o que vejo menos.
Com o paquete que entra,
Porque com ele está a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta hora.(...)
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memória de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos."

Ode Marítima, Álvaro de Campos

domingo, 25 de agosto de 2013

esperança.


Há Luz por toda a parte.








Há Luz por toda a parte.

Na cor, no ângulo do banco de pedra onde te sentas, na esquina que se dobra, na nascente do rio e na foz, na sombra de um passante que se projeta na parede das casas, na circunferência do céu, na estátua inerte onde pousa uma pomba branca, na maré vazia e na maré cheia, no vento parado e na brisa, no inicio da manhã, a meio e no fim do dia. Na noite repleta de estrelas.

E mesmo na ausência de luz, há ainda luz. A possibilidade de luz.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

(ir)reconciliáveis?


Al di Meola World Sinfonia & Gonzalo Rubalcaba - Jazz in Marciac 2011




Museu do Oriente



há ainda, por vezes, a ilusão de um naufrágio da paisagem.
mas por trás da ténue cortina de neblina que cobre  a montanha,
da linha diluída de mar que se cristaliza numa frágil e persistente nuvem.
da ondulação da ténue planície e do último olival.
da ligeira pelicula de neve que se estende sobre a estepe,
como um pó branco
e muito antigo.
há ainda, há sempre
a paisagem.
não como uma reminiscência
mas como uma permanente
re(construção) de si própria.

recomeço



há na eminente reconstrução marítima da manhã
a confirmação de que estamos vivos
e a etérea concretização do mundo.
sem que nenhuma desordem ainda se instale, nem nenhum grito.

se amanhã chover


a lua ainda lá está, presa à terra por um fio. como nós.

sábado, 10 de agosto de 2013

Lisboa


num (outro) dia de Inverno.


Perdi a conta aos mares: mar do Norte, Índico, Atlântico, Mediterrâneo, Mar Vermelho, pequenos e grandes lagos, rios. E às Terras.
É a mesma História. A nossa História.
Contada e por contar: trata-se do nosso futuro comum.
Se ainda estivermos a tempo de termos um. Futuro, comum.



Porque onde reina a cultura do medo, temos que lutar, a cada segundo, por uma Liberdade renovada.
e perder definitivamente. o medo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013



Há (in)finito quando o último lanço de terra mergulha no mar.
Há (in)finito no voo absoluto, sem concessões, das aves marítimas.
Há (in)finito quando uma paisagem contem outra paisagem, longínqua na memória, ou distante na geografia dos lugares.
Igual, mas diferente.
Há (in)finito na palpitação do (m)ar.
Há alguma forma de (in)finito no recorte dos navios na linha do horizonte – porque nos dizem as viagens, os encontros, as trocas, aquilo que faz  (também) de nós o que somos
Há (in)finito na duna azulada que delimita a Serra no céu.
Há (in)finito no casco de nuvens (in)finitamente alvas  que protegem essa Serra.
Há (in)finito na sombra amiga das árvores, e nos bagos dos arbustos.
Há (in)finito quando se perde o medo e se convoca a esperança.
Há (in)finito quando somos Um e somos muitos (mesmo sendo tão poucos).

uma cidade


que se confunde com o mar. Lisboa.