segunda-feira, 28 de outubro de 2013

carta a um amigo


quando a lua namora
os telhados das casas e
espreita, lá de cima, a cidade
(desprendida, mas atenta,
 como sempre.
redonda, como por vezes.
e bela, como sempre.)
e o céu é de um azul tão puro
que apetece mergulhar,
e portanto, mergulhamos.


o rio é música de fundo.
o rio e os seus barcos,
cargueiros que partem e
paquebotes que acostam,
indolentemente.
cacilheiros que deslizam
com suavidade nas águas
(de prata, por vezes, de oiro, por vezes, de um azul
sempre diferente, quase sempre.)
e as sirenes dos barcos apitam
no seu longo e interminável canto de sirenes.
a tarde encosta-se ao espaldar desta cidade que é Lisboa.

não falo da tua ausência, amigo meu.
apresento-te a cidade
e confirmo
o seu estado.
de graça.


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